Dois dias após Congresso aprovar reajustes para servidores parlamentares, Motta diz que vai aumentar verba de gabinete dos deputados
05/02/2026
(Foto: Reprodução) Motta diz que vai aumentar verba de gabinete dos deputados
A decisão do ministro Flávio Dino veio dois dias depois de o Congresso Nacional aprovar reajuste de salário para funcionários da Câmara dos Deputados e do Senado, com novas gratificações e compensações financeiras pagas com dinheiro público. Nesta quinta-feira (5), o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que vai aumentar a verba de gabinete dos deputados.
É com o dinheiro da verba de gabinete que os deputados pagam os salários de até 25 secretários. Hoje, cada um dos 513 deputados federais tem direito a uma verba mensal de R$ 133 mil. Segundo líderes do Congresso, a verba de gabinete deve passar para R$ 165 mil.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que espera que o presidente Lula sancione o reajuste dos servidores. Aprovado, ele publica o ato da Mesa com o aumento da verba de gabinete - ato que não precisa passar por votação no plenário. Segundo Motta, o aumento é necessário por causa do reajuste dos servidores aprovado na terça-feira (3). Sem o aumento da verba, ele afirmou que os gabinetes teriam que demitir funcionários.
Os projetos aprovados em apenas três horas na terça-feira (3) preveem reajustes, em média, de até 9%, dependendo do cargo na Câmara, e gratificações que podem chegar a 100% do vencimento básico na Câmara e no Senado. Criam, ainda, uma licença - folga por dias trabalhados - que pode ser paga em dinheiro, acima do teto do funcionalismo, que hoje é de R$ 46,366. O impacto é de R$ 592 milhões na Câmara e R$ 198 milhões no Senado. A soma deles, R$ 790 milhões, é maior do que a arrecadação de 95% dos municípios brasileiros, de acordo com levantamento do g1.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, alerta que a criação desses "penduricalhos", instituída em lei, leva a outros aumentos:
“Em uma espécie de efeito dominó sobre estados e municípios, por exemplo, as carreiras que se sintam ou que venham a se sentir também prejudicadas, vão querer uma equiparação”.
Dois dias após Congresso aprovar reajustes para servidores parlamentares, Motta diz que vai aumentar verba de gabinete dos deputados
Jornal Nacional/ Reprodução
Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, diz que a Câmara criou despesas quando o país precisa de equilíbrio fiscal:
“É um contrassenso. É uma contrarreforma o que está sendo feito no Congresso Nacional e aí particularmente na Câmara dos Deputados. O Brasil tem uma situação muito delicada quando a gente compara com outros países. A situação fiscal é o calcanhar de Aquiles do Brasil. A gente tem cada vez mais despesas sendo criadas, que criam um problema adicional para 2027”, afirma.
O deputado Pedro Paulo, do PSD - relator da reforma administrativa, que propõe o fim dos supersalários - disse que a Câmara deveria dar um exemplo de austeridade:
“Essa decisão mostrou que o Congresso está desconectado do que a sociedade espera de nós. É justamente o contrário. Nós temos que atacar esses privilégios, essas desigualdades que existem no serviço público. Olhar e ver uma elite de servidores que tem salários de até R$ 80 mil, R$ 100 mil, que não respeitam o teto constitucional. Isso causa uma profunda indignação por esse sentimento de desigualdade que existe também na administração pública”.
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